Morte no trabalho: 93% são homens, a maioria na construção e transporte

FOTO: Fábio Queiroz/Agência AL

Segundo dados divulgados pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), 93% das mortes no trabalho em Santa Catarina são de homens que atuam principalmente na construção civil e no transporte de cargas. A informação foi detalhada no debate “Segurança e saúde do trabalhador”, realizado nesta quinta-feira (26), na Assembleia Legislativa.

“Na construção civil morre mais gente porque tem mais trabalhadores, mas o que mais mata em Santa Catarina é o transporte de cargas. São jornadas de 30 horas de trabalho, uso de agentes químicos para se manterem acordados, tudo porque estão ganhando por comissão, quanto mais rápido andar, mais ganham. Cerca de 93% das mortes no estado são de homens que trabalham principalmente nessas duas áreas”, informou o procurador Acir Alfredo Hack, coordenador do Fórum de Saúde e Segurança do Trabalhador.

Segundo Hack, de 2006 a 2015 foram registradas 2.674 mortes de trabalhadores em Santa Catarina.

“A construção civil tenta fazer com que se utilize todos os equipamentos, mas há uma cultura de não usar, mais naquelas atividades mais informais, realizadas por pequenas empreiteiras, terceirizadas ou quarteirizadas e que não têm aporte financeiro para investir em segurança do seu trabalhador”, reconheceu o procurador.

A auditora fiscal, Luciana Xavier Sans de Carvalho, especialista em análise de acidentes de trabalho, minimizou a proteção oferecida pelos equipamentos de proteção individuais (EPI) e sugeriu uma abordagem da segurança a partir da organização do trabalho.

“Houve uma explosão no forno e o trabalhador recebeu metal líquido e faleceu. Ele não estava usando EPI. Questionei qual EPI ele devia estar usando. Veio uma relação de dez EPIs, mas o problema era organizacional, a sucata vinha molhada e o contato da água com ferro aquecido gera explosões”, explicou a auditora.

Luciana Carvalho relatou outro caso em que o equipamento de segurança individual não impediu a morte do trabalhador.

“A trabalhadora fazia a varrição na obra, usava equipamentos, mas o poço do elevador não estava protegido e ela caiu. Então é uma maldade pedir para utilizar proteção individual, sendo que há outras formas de evitar acidentes, basta mudar a organização do trabalho”, ponderou a auditora, referindo-se a equipamentos de proteção coletiva, como barreiras protetivas.

Um livro sobre o adoecimento do trabalhador
Durante o debate promovido pelo MPT foi lançado o livro “O adoecimento dos trabalhadores com a globalização da economia e o espaço político de resistência”, da doutora Elsa Cristine Bevian, professora do curso de Direito da Furb.

“Está aumentando o número de trabalhadores com doenças ocupacionais, se trabalha em um ritmo muito acelerado, com pouco descanso e com muita pressão, com o tempo vai tendo fadiga, os músculos, os nervos, todo corpo e a mente vão enfraquecendo. O problema maior é a humilhação que o trabalhador sofre na via sacra da busca pelos direitos, são desvalorizados e maltratados”, afirmou Elsa Bevian.

Vítor Santos
AGÊNCIA AL

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