Tempestade em Brasília causa enxurrada de críticas na Assembleia

Tempestade em Brasília causa enxurrada de críticas na Assembleia

FOTO: Eduardo G. de Oliveira/Agência AL

A delação premiada dos proprietários da JBS, que atingiu o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves (PSDB/MG), repercutiu na sessão da manhã desta quinta-feira (18) da Assembleia Legislativa. “Muito triste para o trabalhador que levanta cedo e chega à noite e vai ouvir o Jornal Nacional e se depara com delações pesadas, para aonde iremos?”, perguntou Ismael dos Santos (PSD), que ponderou que o DNA da corrupção está presente em todos os partidos políticos, apesar da delação dos irmãos Batista mirar principalmente PSDB, PMDB e PT.

Mário Marcondes (PSDB) foi além e afirmou que a corrupção está no DNA do ser humano. “A ladroeira não está só no meio político, (a política) está no destaque por conta da mídia, que fomenta a investigação e faz muito bem”, advogou Marcondes, avaliando em seguida que a atual crise é a maior da história. “Estamos nos perguntando onde isso vai parar.”

Para Maurício Eskudlark (PR), a corrupção aumentou com a chegada do PT ao poder. “A corrupção se acentuou desde a entrada do presidente Lula e de lá para cá veio crescendo, antigamente havia indícios, mas assumiu o governo um partido que institucionalizou a corrupção, ninguém conseguia colocar quatro paralelepípedos sem pagar propina”, argumentou o deputado, que ironizou o senador Aécio Neves. “O Aécio responde a seis processos, todo mundo sabia que estava envolvido, mas é tão cara-de-pau que agora, quando todo mundo está delatando, pediu R$ 2 milhões para pagar advogado para se defender dos rolos que fez.”

Ana Paula Lima (PT) contestou o colega. “A corrupção foi investigada pelo governo do Partido dos Trabalhadores, a Polícia Federal teve autonomia para trabalhar nos governo do PT, acredito que o Brasil acordou estarrecido, mas não escutei nenhuma panela, não vi ninguém na rua. Se vocês me perguntarem se estou feliz, não estou feliz, estou preocupada, está em jogo a criminalização da política”, objetou a deputada, que cobrou a renúncia de Michel Temer.

Ana Paula destacou a maneira como os irmãos Batista entraram em acordo com o Ministério Público Federal (MPF). “Graças a Deus que esses delatores da JBS silenciosamente foram lá fazer a delação do que estava acontecendo neste ano, o governo foi atingido de morte”, avaliou a parlamentar, que criticou duramente o partido do presidente. “A gente sabe como o PMDB age, minaram a base, negociaram, fizeram essa falcatrua, o filho do Teori (Zavascki) contou que o pai temia o PMDB, não o PT”, informou a representante de Blumenau.

Cesar Valduga (PCdoB) defendeu eleições diretas para contornar a crise. “Para recolocar o Brasil nos trilhos e devolver esperança é necessária a realização de eleições diretas”, propôs o representante de Chapecó, que sugeriu a criação de uma frente ampla. “O PCdoB lutará por isso, pela unidade das forças democráticas, está em jogo a economia”, avisou Valduga.

Contraponto na Veja
Ismael dos Santos leu na tribuna parte de texto de sua autoria publicado como “contraponto” na Revista Veja. Segundo o deputado, um articulista da revista defendeu a livre comercialização da maconha sob o argumento de que “poderemos lucrar com os impostos”. Na carta publicada, o presidente da Comissão de Prevenção e Combate às Drogas enfatizou o “resultado da liberação  na rede hospitalar” e lembrou que no Uruguai, que liberou o consumo, a criminalidade disparou 30%.

Ismael convidou o articulista a visitar uma das mais de 100 comunidades terapêuticas do estado e repetiu o bordão dos viciados de que a maconha é o jardim de infância do crack. “A narrativa das drogas será alterada se o percurso for o da prevenção e não o da liberação”, insistiu Ismael, que ressaltou que o Supremo Tribunal Federal (STF), por maioria, decidiu pela legitimidade do confisco dos bens dos narcotraficantes.

PPPs
Mário Marcondes justificou porque votou contrariamente à lei do marco regulatório das parcerias público-privadas (PPPs), aprovada na sessão de quarta-feira (17). “Minha indignação é com o formato, apesar de estar na Casa há um ano e pouco, estava parado nas comissões, não nos gabinetes, por isso a falta de conhecimento dos deputados”, explicou Marcondes, que reconheceu que “o poder público ficou pequeno para as demandas”.

Altair Silva (PP) elogiou a decisão dos deputados. “O parlamento deu uma resposta clara e sensata para ter mecanismo que incentive o desafogamento da logística em Santa Catarina, temos muitas rodovias no Extremo Oeste esperando recuperação, o novo marco regulatório incentivará a participação da iniciativa privada para a população não comemorar aniversário de buraco”, encerrou Altair.

Reforma da Previdência
Rodrigo Minotto (PDT) afirmou que o sistema previdenciário, ao contrário do que diz o governo, é superavitário. “As receitas de 2015 totalizaram R$ 694 bilhões e as despesas R$ 683 bilhões, superávit de R$ 11 bilhões”, calculou Minotto, acrescentando que as renúncias fiscais causaram R$ 110 bilhões de prejuízo aos cofres da previdência e que a dívida das empresas chega a R$ 500 bilhões ao ano. “Por que o governo não cobra as dívidas?

Fundam no Planalto Norte
Antonio Aguiar (PMDB) elogiou a decisão do governador Raimundo Colombo de iniciar as reuniões sobre o Fundam 2 com os prefeitos do Planalto Norte. “Estivemos em Mafra com o governador na primeira reunião do Fundam no Planalto Norte, ele está olhando diferente para a nossa região, nunca na história do Planalto Norte isso aconteceu”, informou Aguiar.

Jogos Abertos da 3ª Idade
Aguiar também repercutiu a abertura da 10ª edição dos Jogos Abertos da Terceira Idade (JASTI), que aconteceu quarta-feira (17), em Blumenau. “É o maior evento esportivo do estado, mais de 6 mil idosos que têm orgulho de continuar a vida e relembrar o passado, catarinenses que deram sua vida pelo estado, que criaram seus filhos de maneira difícil, pagando estudos para que fossem algo mais do que eles puderam ser”, descreveu Aguiar.

Pais agressores
Dirce Heiderscheidt (PMDB) exibiu no telão do plenário um vídeo sobre a violência contra crianças e adolescentes no Brasil. De acordo com os números apresentados pela deputada, 70% das agressões físicas sofridas pelas crianças são praticadas pela mãe. “Os agressores são os pais e as mães, os pais agridem menos, mas com mais letalidade”, lamentou Dirce.

A representante de Palhoça alertou que em Santa Catarina os números não são diferentes do restante do país. “O que cada um de nós está fazendo para mudar esta realidade? Não ver ou fazer de conta que não vemos não muda esta realidade, precisamos abrir os olhos e fazer algo de concreto”, desafiou Dirce.

Vítor Santos
AGÊNCIA A

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